2020 já é pura inspiração!

@patriciageneroso12 está conseguindo se controlar e compartilhou com a gente um pedacinho da sua história com o picking. Bora conhecer?

* * *

“Sempre tirei casquinhas, desde a infância, sentia prazer. Sofri bulliyng por isso. Minhas pernas eram manchadas, diziam que eu era cheia de “reloginho”, uma gíria aqui do Rio de Janeiro para manchas de feridas (tem até um funk fazendo piada disso). Me chamavam de favelada, cantavam a tal música pra mim.

Cresci com as feridas e manchas até que um dia meu namorado me alertou que eu tinha um problema, pois percebia que eu sempre tinha alguma ferida nova. Contei a ele que eu não conseguia parar, que fazia aquilo desde a infância, e que tinha muitas marcas na pele. Então ele me disse que devia existir outra pessoa no universo com esse tipo de problema e, na internet, cheguei ao nome skin picking.
Comecei a me tratar com psicólogo e o dermatologista me receitou uma combinação de ácidos*.

Comecei o tratamento em pleno verão! Comprei um protetor solar fator 70 e usava o tempo todo, até para andar na rua, mesmo eu sendo negra. Devagarinho as manchas foram clareando. No começo bateu a ansiedade de ver clarear logo, mas resultado mesmo comecei a ter a partir de 6 meses de tratamento, e, claro, sem cutucar mais nada. É preciso paciência.

Um recurso que me ajuda muito são as unhas de fibra de vidro. De vez em quando ainda me pego tentando tirar alguma casquinha, e a unha dificulta tanto que eu acabo desistindo.

Hoje sinto que tenho controle sobre a vontade de me escoriar, mas sei que não estou curada. O controle é um estado, não permanente e preciso ter muito foco para não perdê-lo.

Tenho outras partes para controlar, mas estou muito feliz porque já consegui cuidar das pernas. Sigo com o tratamento psicológico, e sei que vou encontrar outras maneiras de aliviar esses impulsos.”

* Prefiro não falar nomes de substâncias.


* * *

Patrícia, obrigada por compartilhar sua história! Cuidar da cabeça é o segredo! [Con]viver com skin picking é possível. Você ajuda a provar isso e inspira outros a tentarem também! 


0 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *