Cada um tem uma relação diferente com o espelho. Qual é a sua?

Outro dia a @evanlene me sugeriu esse tema e me chamou a atenção que a relação dela com o espelho era uma e a minha, outra. Eu fujo do espelho. Confesso que me dói me ver de corpo inteiro, pois meu foco maior sempre foram as pernas, e as cicatrizes estão ali pra me mostrar o quanto eu sou fraca. Provar alguma roupa curta no provador de uma loja sempre me faz vestir e tirar bem rápido. Se servir minimamente eu levo, e isso já me fez comprar coisas que nunca mais usei, porque a repulsa que eu senti de mim diante do espelho só me fez sair correndo do provador. Não tenho espelho de corpo inteiro em casa. Não faço sexo na frente de espelhos. E, pensando agora, deve ser porque o espelho me força a lembrar daquele outro eu que se automutila sem dó nem piedade, alguém que eu não gosto de lembrar e prefiro fingir que não existe. Do contrário, eu teria que encará-lo, né?
Do outro lado da história, a Evanlene, que me conta que quando se olha no espelho não resiste aos impulsos de se machucar. Eu sinto repulsa, para ela é como um ímã. Eu fujo. Ela encara, mas se rende. Nós duas perdemos. Evitar o espelho pode ajudar a não lembrar ou a não acionar aquele outro eu. Mas na vida “normal” não faz nenhum sentido fugir dele. “A derma não me controla” é o estado mental que precisamos manter ativo o tempo todo, repetir para nós mesmos e para quem convive com a gente. E, claro, agir de acordo, para que se torne verdade, mesmo que tenhamos recaídas. Então, pouco a pouco, o espelho passará a não ter nenhuma relação com a compulsão. Agora ele é somente um reflexo da maneira como nos relacionamos com a derma. Mas poderá ser somente um objeto do dia a dia, sem significância. Dependerá da gente.

E você? Qual é a relação com a sua compulsão e com o espelho?


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