A fórmula mágica - OcupadaMente

Pessoal, eu fico mega feliz com mensagens positivas, mas confesso que tudo o que eu sempre quis na vida foi encontrar uma fórmula mágica para parar de destruir a minha pele. Nunca encontrei, claro, porque não existe.

Por isso, mais que apoiar cada um com quem converso, eu queria dividir com vocês as coisas PRÁTICAS que me ajudaram a ficar livre dessa compulsão no último ano inteiro.

Nos momentos de crise, com feridas abertas e as minhas mãos abrindo as feridas sucessivamente:
– pomadas antibióticas e antiinflamatorias (gosto muito da Trok-G, receitada pela minha dermatologista) com curativo oclusivo com filme de cozinha. Tipo aqueles quando se faz tatuagem. Dormia com as feridas envoltas em filme de cozinha com as pomadas. Ajudava a cicatrizar e a não me coçar dormindo. O uso prolongado vai afinando a pele, então eu não usava o dia inteiro, só à noite. Assim que retirava o filme usava alguma roupa mais justinha que me impedisse de acessar as feridas. Também pedia para alguém ficar junto comigo enquanto eu tirava o filme, para não ceder à tentação de meter a unha e destroçar tudo. Esqueça a vergonha, eu precisei e todos nós aqui precisamos de ajuda.

– consultar médico especialista em feridas crônicas e queimaduras me ajudou muito. Um medicamento para queimadura ajudou a cauterizar as feridas que estavam abertas e que eu não conseguia vencer. Porém, tive uma reação alérgica violentíssima ao THIMEROSAL, componente deste medicamento e outros produtos como cosméticos e vacinas. Cicatrizar foi o primeiro passo.

Manutenção:
– hidratação profunda. Minha dermatologista e uma especialista em dermatologia funcional recomendaram o Lipikar Baume AP+, da La Roche. Caro, mas hidrata e ajuda a controlar a coceira. Comecei a usar hoje e gostei bastante, já na primeira aplicação. Fora do Brasil custa $20. Quem tiver oportunidade de trazer, compre fora.

Na parte psicológica:
– Admita que você tem um problema. No começo vai doer, você vai chorar muito. Comece contando para as pessoas mais próximas. Forme uma rede de aliados. Eu pedi ajuda para aqueles momentos em que eu não percebia que estava me lesionando. Mas deixava claro que tinha que ser com carinho, nada de me humilhar dizendo coisas tipo “para com isso, já tá fazendo de novo?”. Combinei com essas pessoas um simples toque no meu braço. Eu saberia que era um aviso para eu parar. Tem sido suficiente para me tirar do “transe”, do estado mental em que eu entro quando começo a me lesionar. O carinho das pessoas próximas me ajudou muito nisso.

– Aprenda a não se boicotar. Identifique o que acontece na sua pele que promove o prazer de começar a se cutucar. No meu caso eram espinhas, picadas de mosquito, machucadinhos de qualquer espécie e depilação com cera ou gilete. Declarei guerra a esses agentes. Durmo com mosquiteiro em cima da cama, uso repelente, me alimento melhor para não ter espinhas, corto os pelos do corpo com máquina de cortar cabelo e clareio os toquinhos com água oxigenada (dá trabalho, mas o risco de lesão é zero).

– Ansiedade: peça a seu médico medicação para ajudar no controle. Tomo por períodos, depois paro, fazendo o desmame da medicação, como deve ser feito.

– Fale sobre o seu problema! Não só por detrás do seu celular, nas redes sociais. Fale, se exponha! Sabe os grupos dos alcoólicos anônimos? É isso! Convide alguém para ser seu “padrinho”, aquela pessoa para você pedir ajuda nas horas mais difíceis. Psicólogo sim, mas também pessoas de fora de círculos fechados, que deixam você seguro par continuar se escondendo.

Entenda que superar isso sozinho é muito difícil. Foi quando eu resolvi sair do “armário” que eu comecei a ver as mudanças acontecendo. Comecei a me lesionar aos 5 ou 6 anos de idade, saí do “armário” aos 27 e estou escrevendo isso aqui hoje, cheia de amor e boas intenções, aos 41. Estas são as minhas estratégias de guerra à dermatotilexomania. Não encontrei-as em um blog nem em redes sociais, aliás, até pouco tempo eu nem sabia que isso tinha nome. Achava que eu era um ET, a única pessoa no planeta fazendo isso, e não encontrava nada na internet que pudesse me ajudar. Psicólogos e dermatologistas não conheciam o transtorno. Fui tentando me entender e, na tentativa e erro, alcancei o tão sonhado controle. E estou “limpa” há 1 ano, mas na batalha, constante, para o resto da vida.

Quem quiser pode entrar em contato comigo pelo formulário no site ou pelo e-mail, sempre que precisar. Assim como compartilho, sempre recebo muitas boas dicas também.

Não desista de você. Se não há cura, há CONTROLE.


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