Um dia na terapia me lamentei porque as pessoas não estavam nem aí para como eu me sentia e a psicóloga me perguntou se eu falava isso para essas pessoas. Eu já tinha tentado, óbvio, mas as experiências foram tão ruins que desisti de tentar e me isolei. E ela me disse “Mas então como quer que saibam o que você sente?”. Ela tinha razão.
 
A gente tenta pelo menos uma vez na vida desabafar e pedir ajuda para lidar o skin picking, e as reações não são as que a gente espera, ninguém passa a mão na cabeça da gente, ninguém sente pena. Só que evitar o assunto e se esconder só aumenta a dor… e só pra nós.
 
Falar sobre skin picking tem sido a experiência mais libertadora que vivo até hoje, apesar das “estatísticas”: 20 pessoas indiferentes, 5 que prestam atenção e 1 que realmente se importa. Mas acredite, o carinho que vem dessas “umas” perdidas por aí é MUITO reconfortante!
 
O apoio que recebo não vem do nada. Eu sou até meio (bem) chata falando do picking. Em qualquer oportunidade lá tô eu falando (até na aula de espanhol… em espanhol. rsss). O que eu acho que eu faço bem é que eu não fico me lamentando. Eu compartilho informação, falo sobre como funciona a compulsão, sobre as sequelas na pele, os efeitos emocionais, sobre o que eu faço para superar… Poucas vezes eu PEDI ajuda declaradamente, mas ela sempre veio, de forma espontânea!
 
Também não foi o máximo logo na primeira vez que eu falei. Demorou um tempo. Precisei de coragem pra pular a cerca mais algumas vezes e sair do isolamento que eu mesma havia criado, até sentir que o arame da cerca já não parecia tão farpado assim. Já não era tão ruim as pessoas não entenderem o que eu tinha: era uma oportunidade para eu explicar.
 
Quem está lá do outro lado só nos observa, mas não sabe o que se passa até que a gente fale. Precisamos de ajuda, precisamos tentar. Se não for como imaginamos, tentemos com outra pessoa. Uma hora a gente acerta. Sejamos indiferentes a quem é indiferente. Gastemos energia com quem quer saber o que a gente sente.
 
Garanto a você que o carinho que volta compensa o esforço. 
Categorias: Para refletir

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