Não é fácil começar um relacionamento com a pele cheia de feridas e manchas. Muita gente aqui deve até evitar relacionamentos por conta disso.

Eu não fui diferente. Meu primeiro beijo demorou mais que todas as minhas amigas. Minha primeira vez foi bem tarde, aos 17 anos. No escuro. Nunca tomei banho com o meu então namorado. Perdi a chance de aproveitar aquele namoro por causa do picking. Não durou, claro.

No relacionamento seguinte não falei do skin picking no começo, até pq na época eu ainda não tinha falado pra ninguém. Mas já no começo falei que eu tinha alergias, que as lesões não cicatrizavam, que eu tinha um excesso de produção de melanina e por isso tinha a pele manchada. Não tinha como não falar disso, pois eu já havia iniciado minha vida sexual, e se escondesse seria só uma questão de tempo para que ele descobrisse.

Ele foi extremamente compreensivo desde o dia em que contei. Nunca me olhou com reprovação, com nojo nem nada assim. Sempre se preocupou em me ajudar a driblar as questões de pele.

Depois de 10 anos juntos, finalmente criei coragem para admitir que era eu quem provocava as feridas. Nada mudou. Só aumentou o apoio, a preocupação, o carinho. Parei com o picking principalmente com o apoio dele, que sempre tentou me mostrar que eu era maior que essa compulsão.

Sei que nem todo mundo já encontrou uma pessoa assim pra chamar de sua. Mas evitar relacionamentos só aumenta o sofrimento que já é enorme só com o picking. Omitir as questões de pele funciona só por um curto tempo.

A questão é que a gente só encontra a pessoa certa de um jeito: tentando.

Fale sobre a sua pele, não demore muito. Se encha de coragem e fale. Sem dramalhão, sem vitimismo. Conte como quem fala que tem intolerância a lactose. Se a outra pessoa fizer cara de nojinho é porque não era a pessoa certa pra você. E você terá se livrado cedo de um relacionamento provavelmente fadado ao fracasso. Não é sua culpa.

Continue tentando. Aquela pessoa pra chamar de sua tá esperando você em algum lugar, para amar e chamar de dela cada pedaço de você. 👩‍❤️‍💋‍👨

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2 comentários

CRIS ABREU · 20/10/2019 às 22:52

Que bom achar um companheiro assim! Ele podia ensinar como os maridos/namorados devem tratar uma dermatilomaníaca. Meu marido, qdo estou cutucando, faz bem um som alto, tipo “shit”, aí sinto mais vontade de cutucar. Já disse isso a ele, mas não adiantou. Se alguém escrevesse um artigo sobre a forma de ajudar, de abordar, qdo estamos no meio do transe, seria ótimo. Eu procuro artigos desse tipo pra repassar a ele.

    Daniele · 21/10/2019 às 20:06

    Oi, Cris! Essa proposta de conteúdo está no radar, e será escrita por um profissional que trata skin picking. Aviso você quando publicarmos, ok? Obrigada por comentar e participar! Um beijo! 😘

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