OcupadaMente: é sobre skin picking, sim!

OcupadaMente é uma iniciativa social iniciada com o único propósito de reunir em um só local informação útil sobre o skin picking e apoiar pessoas que sofrem desse transtorno. O nome é porque a gente acredita que quando a mente está ocupada com o que é importante para o tratamento, não sobra espaço para o picking se manifestar. Fique por aqui e aproveite o que preparamos com carinho para ajudar você. Um beijo!
Daniele - A Skin Picker - OcupadaMente
Daniele de Felippe
A SKIN PICKER

Afinal, o que é skin picking?​

O termo vem do inglês (beliscar a pele) e tem sido mais comentado nesse idioma do que no nome oficial em português. Confira o que diz a publicação DSM-5 (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014):

Transtorno de Escoriação (Skin-picking) – Critérios Diagnósticos

A. Beliscar a pele de forma recorrente, resultando em lesões.
B. Tentativas repetidas de reduzir ou parar o comportamento de beliscar a pele.
C. O ato de beliscar a pele causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
D. O ato de beliscar a pele não se deve aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., cocaína) ou a outra condição médica (p. ex., escabiose).
E. O ato de beliscar a pele não é mais bem explicado pelos sintomas de outro transtorno mental (p. ex., delírios ou alucinações táteis em um transtorno psicótico, tentativas de melhorar um defeito ou falha percebida na aparência no transtorno dismórfico corporal, estereotipias no transtorno de movimento estereotipado ou intenção de causar danos a si mesmo na autolesão não suicida).

Características Diagnósticas

A característica essencial do transtorno de escoriação (skin-picking) é o beliscar recorrente da própria pele (Critério A). Os locais mais comumente beliscados são rosto, braços e mãos, porém muitos indivíduos beliscam múltiplas partes do corpo. Podem beliscar pele saudável, irregularidades menores na pele, lesões como espinhas ou calosidades ou cascas de lesões anteriores. A maioria das pessoas belisca com as unhas, embora muitas usem pinças, alfinetes ou outros objetos. Além de beliscar a pele, pode haver comportamentos de esfregar, espremer e morder. Os indivíduos com transtorno de escoriação frequentemente passam quantidades significativas de tempo em seu comportamento de beliscar, às vezes várias horas por dia, e esse comportamento pode durar meses ou anos. O Critério A requer que o beliscar a pele provoque lesões cutâneas, embora os indivíduos com o transtorno com frequência tentem esconder ou camuflar essas lesões (p. ex., com maquiagem ou com roupas). Essas pessoas já fizeram repetidas tentativas de reduzir ou parar de beliscar a pele (Critério B). O Critério C indica que beliscar a pele causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. O termo sofrimento inclui afetos negativos que podem ser experimentados por aqueles que beliscam a pele, tais como sensação de perda de controle, constrangimento e vergonha. Pode ocorrer prejuízo significativo em várias áreas diferentes de funcionamento (p. ex., social, profissional acadêmica e lazer), em parte devido à evitação de situações sociais.

Características Associadas que Apoiam o Diagnóstico

O comportamento de beliscar a pele pode ser acompanhado de uma gama de comportamentos ou rituais envolvendo a pele ou cascas de ferida. Assim, os indivíduos podem procurar por um tipo particular de casca de ferida para arrancar e podem examinar, brincar ou colocar na boca ou engolir a pele depois de arrancada. O ato de beliscar a pele também pode ser precedido ou acompanhado por vários estados emocionais. O comportamento pode ser desencadeado por sentimentos de ansiedade ou tédio, pode ser precedido por uma tensão crescente (seja imediatamente antes de beliscar a pele, seja quando tenta resistir ao impulso de beliscar) e pode levar a gratificação, prazer ou um sentimento de alívio quando a pele ou casca foram arrancadas. Algumas pessoas relatam que beliscam em resposta a uma irregularidade menor na pele ou para aliviar uma sensação corporal desconfortável. Não costuma ser relatada dor acompanhando o beliscar da pele. Alguns indivíduos se engajam em beliscar a pele de forma mais focada (i.e., precedido por tensão e com posterior alívio), enquanto outros se engajam de forma mais automática (i.e., quando ocorre o beliscar da pele sem tensão precedente e sem a consciência completa), e muitos têm um misto de ambos os estilos comportamentais. O ato de beliscar a pele geralmente não ocorre na presença de outros indivíduos, exceto membros da família imediata. Alguns relatam beliscar a pele de outras pessoas.

Prevalência

Na população em geral, a prevalência durante a vida do transtorno de escoriação em adultos é de 1,4% ou um pouco mais. Mais de três quartos dos indivíduos com o transtorno são do sexo feminino. Isso provavelmente reflete a verdadeira proporção da condição entre os gêneros, embora também possa refletir diferenças na procura de tratamento com base nas atitudes de gênero e da cultura em relação à aparência.

Desenvolvimento e Curso

Embora indivíduos de várias idades possam apresentar transtorno de escoriação, beliscar a pele tem seu início mais frequentemente durante a adolescência, em geral coincidindo ou logo após o início da puberdade. O transtorno com frequência começa com uma condição dermatológica, como acne. Os locais onde o indivíduo belisca a pele podem variar com o tempo. O curso em geral é crônico, com algumas remissões e recidivas se não tratado. Para algumas pessoas, o transtorno pode ir e vir por semanas, meses ou anos.

Fatores de Risco e Prognóstico

Genéticos e fisiológicos. O transtorno de escoriação é mais comum em indivíduos com TOC e em membros da sua família de primeiro grau do que na população em geral.

Marcadores Diagnósticos

A maioria dos indivíduos com transtorno de escoriação admite beliscar a pele; portanto, o diagnóstico dermatopatológico raramente é necessário. No entanto, o transtorno pode ter características próprias na histopatologia.

Consequências Funcionais do Transtorno de Escoriação (Skin-picking)

O transtorno de escoriação está associado a sofrimento e também a prejuízo social e profissional. A maioria dos indivíduos com essa condição gasta no mínimo uma hora por dia beliscando a pele, pensando em beliscá-la e resistindo ao impulso de fazê-lo. Muitos relatam evitação de eventos sociais ou de entretenimento, bem como sair em público. A maioria das pessoas com o transtorno também relata experimentar interferência do beliscar a pele no trabalho com uma frequência no mínimo diária ou semanal. Uma proporção significativa de estudantes com transtorno de escoriação relata ter faltado à escola, ter experimentado dificuldades no manejo das responsabilidades na escola ou ter tido dificuldades de estudar devido ao comportamento de beliscar a pele. As complicações médicas de beliscar a pele incluem danos ao tecido, cicatrizes e infecção e podem ser ameaçadoras à vida. Raramente foi relatada sinovite do punho devido ao comportamento crônico de beliscar. Beliscar a pele comumente resulta em dano significativo aos tecidos e em cicatrizes. Com frequência, exige tratamento antibiótico para infecção e eventualmente pode requerer cirurgia.

Transcrição da seção sobre skin picking no DSM-5, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).

Procure um psiquiatra. Para fornecer um diagnóstico o profissional médico irá avaliar, além das características inerentes ao skin picking, a presença de outras condições clínicas e psicológicas.

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Ideias, reflexoes sobre o dia a dia com o skin picking. A gente tenta escrever com carinho, mas às vezes sai um jab de direita mesmo. Nada pessoal, ok? É só pra dar um “chacoalha” em você. =D