Hoje vi na Netflix o filme Toc Toc, uma comédia espanhola que retrata um grupo de pacientes com transtorno obsessivo compulsivo (TOC) reunidos na sala de espera de um consultório de pisiquiatria enquanto aguardam o médico. A interação dos pacientes e de suas diferentes obsessões é bem engraçada. Não assisti ao filme pensando em alguma relação direta com o transtorno de escoriação / skin picking, mas não pude deixar de refletir sobre a mensagem final.
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A PARTIR DAQUI TEM SPOILERS
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Depois de passarem algumas horas reunidos à espera do médico, os pacientes resolvem iniciar uma terapia de grupo por conta própria, na tentativa de ajudarem uns aos outros a controlar suas compulsões por pelo menos alguns minutos. No meio dos descontroles de um, os outros precisam se concentrar em se dedicar à necessidade do outro e, isso faz com que, momentaneamente, eles se “esqueçam” das suas compulsões. Chegam juntos à conclusão de que esse é o caminho para o controle: se concentrarem menos em si mesmos e mais em ser úteis para os outros. ⠀⠀⠀⠀⠀
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FIM DOS SPOILERS

O filme terminou e fiquei pensando em como as coisas funcionaram pra mim, para alcançar e me manter no controle do picking. Há pouco mais de um ano eu estava simplesmente farta, depois de 35 anos sofrendo e me escoriando, e decidi focar pra valer no tratamento e parar. Passei a gastar menos tempo me culpando e me envergonhando por ter o transtorno e mais tempo me compreendendo e aprendendo com meu comportamento, me observando nas vezes em que eu sentia vontade de me cutucar, identificando os meus gatilhos… Deixei de olhar para as feridas e as manchas (a ponta do iceberg) e me tratar por dentro.


Hoje sei evitar. E não é evitar uma vez e está pronto, é um trabalho para toda a vida. Mas agora eu sei como fazer. E se eu recair – espero que não – eu vou respirar fundo e começar de novo. Já aprendi o caminho: agora parar e me manter no controle é só questão de escolha. MINHA ESCOLHA. A compulsão não me domina mais.


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